30/03/2025
Cidades e Soluções: Na Globonews, Jean Paul diz que não há outro caminho para a transição energética senão a eletrificação
O ex-senador e ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, foi entrevistado neste sábado (29), na Globonews, pelo jornalista André Trigueiro, no programa Cidades e Soluções.
No programa que debateu sobre 'Petróleo X Crise climática', em que participou também a coordenadora do Observatório do Clima, Suely Araújo, Prates deu dois recados considerados 'importantíssimos', passados de forma incisiva pela primeira vez em âmbito nacional:
Primeiro, que não há outro destino final para a transição energética senão a eletrificação total da vida comum e da economia (consumo, transporte, indústria, insumos), mesmo que isso leve até 70 anos...
E segundo, que gás natural e biocombustíveis são apenas fontes transitórias que, apesar de descarbonizar, provocam outros efeitos ainda não sentidos, como ocupação indiscriminada de terras e competição com alimentos.
De acordo com Jean Paul, a Europa e a China já sabem disso e saltam direto para a eletrificação.
Para o Blog, o comentário de Jean Paul Prates sobre a relação do tema da entrevista com o Rio Grande do Norte:
"Isso é importante para nós porque o nosso RN, e a região em que estamos inseridos, que eu chamo de Brasil Equatorial, não possui grandes reservas de gás, nem grande produção de biocombustíveis (e.g. etanol de cana ou de milho; biodiesel de soja ou de sebo de boi; biometano de resíduos)", disse o ex-presidente da Petrobras.
"Temos que nos conscientizar e temos que passar a ser mais incisivos ao defender nossa economia e os investimentos feitos aqui, contra os poderosos lobbies e grupos de interesses das regiões ainda mais fortes do que nós. Pode até parecer estranho conseguirmos argumentar em favor da reposição de reservas de petróleo, defendendo a exploração da Margem Equatorial, e num mesmo discurso, denunciar mais de 1400 usinas eólicae e solares cortadas na sua geração no Nordeste. Mas a contradição não é nossa, será de quem terá que explicar esta situação em plena COP30. A nós, aqui, cabe defender o que temos. E o que temos é petróleo finito, e vento e sol infinitos", explicou Jean Paul.
"Nossa defesa irá cada vez mais aparecer por aí, nos fóruns nacionais e internacionais. E nossa região será muito mais reconhecida se soubermos equilibrar investimentos em energia com cuidado socioambiental, especialmente em parceria com as comunidades e populações autóctones. Juntemo-nos nessa cruzada, concluiu o ex-auxiliar do presidente Lula.