16/12/2022
Sem impedimento, nome de Jean Paul Prates segue bem avaliado para comandar a Petrobras
[0] Comentários | Deixe seu comentário.De Gabriel Vasconcelos, do Estadão, no Broadcast+
Especial
Nome de Prates na Petrobras ganha respaldo entre executivos da estatal e do mercado
Por Gabriel Vasconcelos
Cotado para assumir a presidência da Petrobras, o senador Jean Paul Prates (PT) segue na dianteira das articulações pela a indicação ao comando da estatal e vê seu nome ganhar cada vez mais aceitação entre executivos da estatal e do setor de óleo e gás.
No fim de outubro, o Broadcast/ Estadão antecipou Prates como nome forte na corrida pela Petrobras. Fontes da Transição afirmam que ainda não houve nenhuma manifestação do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com relação à sucessão na estatal. Qualquer anúncio nesse sentido, afirmam, tende a acontecer nos últimos dias de dezembro ou mesmo após a posse. Em todo caso, só depois da indicação do ministro de Minas e Energia.
No último mês, a ex-diretora geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, também entrou no páreo, mas nos bastidores, comenta-se que ela pode ir para o conselho de administração da empresa.
Outros nomes ventilados para a Petrobras foram o do governador da Bahia, Rui Costa (PT), anunciado na semana passada como futuro ministro da Casa Civil de Lula e, nessa segunda-feira, 12, o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT) e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes. Interlocutores da transição dizem que Mercadante deve assumir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e que Gomes tem melhores chances de assumir a pasta de Indústria e Comércio.
Nesse contexto, dizem as fontes, Prates segue como o nome mais forte para assumir a Petrobras nos bastidores do novo governo e já começa a acumular apoios importantes fora dele. Advogado e economista, ele tem quase 30 anos de experiência no setor de óleo e gás, no qual atuou como consultor antes de seguir carreira política no Rio Grande do Norte.
Lei das Estatais
Pontos fracos de Prates, como a vedação a políticos com atuação em instância decisória de partido político prevista na Lei das Estatais, que imporia quarentena de 36 meses, vêm sendo relativizados não só pelo senador e seus apoiadores, mas também por representantes de acionistas minoritários da Petrobras.
Questionado a esse respeito, o advogado Leonardo Antonelli, ex-conselheiro da empresa entre 2020 e 2021 e assessor de acionistas privados da Petrobras, afirmou ao Broadcast/Estadão que eventual indicação de Prates atenderia às exigências da Petrobras e não teria impedimento legal.
'Sem impedimento legal'
"O currículo do senador é aderente ao core business da Petrobras. Ele integrou a área internacional da companhia [Braspetro] no passado e seguiu no setor de petróleo e gás desde então. Não vejo nenhuma resistência à sua conformidade. E desconheço a existência de impedimentos legais, como exigência de quarentena e ter integrado estrutura decisória de partido político ou exercido cargo em organização sindical", disse Antonelli.
Prates já contaria com o apoio de correntes do PT e das cúpulas da Federação Única dos Petroleiros (FUP), uma das principais entidades ligadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao PT, além do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), cujos técnicos contribuíram para o programa de governo de Lula e, agora, atuam na transição.
Para além do entorno de Lula, Prates também contaria com a simpatia de parcela importante dos colegas de Congresso e tem angariado apoios entre executivos do setor e da própria Petrobras.
Conciliador
Uma fonte da alta administração da Petrobras afirma que tem colhido boas impressões de agentes do setor sobre o nome de Prates. O senador é visto como alguém capaz de conciliar interesses centrais do novo governo, como investir contra o alinhamento automático ao preço de paridade de importação (PPI) de combustíveis e aumentar o investimento em refino e energias renováveis, mas sem comprometer a performance financeira da Petrobras e trabalhar pelo fechamento do mercado.
Um ex-conselheiro que atuou até agosto na Petrobras disse que, entre os nomes ventilados na imprensa, o de Prates é o de mais fácil aceitação pelo mercado, principalmente porque, pelo histórico, ele não seria de todo contrário à abertura do mercado de óleo e gás no Brasil.
"Hoje, as forças que rechaçam Prates existem mais dentro do PT do que fora", avalia o ex-conselheiro, ao lembrar que Prates tem histórico de defesa racional da abertura do mercado.
Vendas da estatal
O senador, inclusive, já deu mostras de que não seria totalmente contra o programa de desinvestimentos da Petrobras. Na semana passada, Prates disse em entrevista coletiva que uma parte das vendas de ativos da estatal faz sentido, mas outra não faz e deve ser reconsiderada na próxima gestão da empresa. Na prática, a posição agrada a gregos e troianos, governo eleito e agentes privados.
Segundo fontes da Transição, a Petrobras comunicou ao subgrupo de trabalho de óleo e gás, liderado pelo próprio Prates, que há 55 ativos com previsão de venda futura em diferentes etapas, dos quais cinco, todos de produção e exploração (campos de óleo e gás), devem ter o processo de venda concluído até o fim de 2022.
Do universo de alienações em curso, é consenso dentro do novo governo que a venda de cinco refinarias deve ser cancelada pela gestão da empresa sob Lula.
Na leitura do ex-conselheiro da Petrobras, é provável que a venda de alguns campos maduros, processo iniciado ainda no governo Dilma Rousseff (PT), siga em frente, enquanto os desinvestimentos em "downstream", sobretudo refino e gás, sejam cancelados.