24/01/2021
O “Show” de marketing do ministro Pazuello
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Apontando as falhas do Ministério da Saúde ao ministro das Comunicações Fábio Faria, o ministro Eduardo Pazuello contratou ‘Markinhos Show’ para cuidar da sua própria comunicação.
Mas, pelo jeito, deu erro...
Como mostra o jornalista Ricardo Kotsho em seu canal no YouTube e na coluna no UOL:

De terno e carregando uma grande mochila nas costas, ele já circulava há tempos pelos bastidores do Ministério da Saúde, mas esta semana foi nomeado como assessor especial de Eduardo Pazuello, o ministro general da Saúde, com salário de R$ 13.623, fora as benfeitorias. . O personal marqueteiro Marcos Eraldo Arnoud, mais conhecido pelo nome artístico de "Markinhos Show", estreou oficialmente nesta função na noite desta sexta-feira, ao organizar o espetáculo armado na base aérea do Galeão para recepcionar vacinas da AstraZeneca/Oxford vindas da Índia para a Fiocruz.
Com canhões de luz apontados para a pista e caminhões-tanque do Corpo de Bombeiros jogando jatos d´água sobre o avião, a apoteose ficou para o discurso do general, ao lado do chanceler Ernesto Araújo e do embaixador da Índia no Brasil, diante de um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas, enquanto as vacinas eram descarregadas. Só faltou uma banda militar para abrilhantar o evento O lote de 2 milhões de doses mal daria para vacinar uma cidade como Campinas, mas o show montado por Markinhos lembrou a chegada triunfal da seleção brasileira depois de ganhar uma Copa do Mundo. Afinal, eram as primeiras vacinas que o Ministério da Saúde conseguiu trazer, uma semana depois de começar a vacinação no Brasil, com os 6 milhões de doses da Coronavac, a vacina do Instituto Butantan, de São Paulo, desenvolvida em parceria com a Sinovac, da China.
Ao ver pela TV o governador João Doria posando para fotos ao lado da primeira pessoa vacinada no Brasil, a enfermeira Mônica Calazans, logo após a aprovação pela Anvisa no domingo passado, Pazuello e seu personal marqueteiro correram para também entrar no ar ao vivo e denunciar a jogada de marketing. Perto do show montado no Galeão, no entanto, a celebração de Doria, que sempre foi o grande marqueteiro dele mesmo, até pareceu discreta. Pazuello e "Markinhos Show" se conheceram no governo de Roraima, onde o general foi secretário da Fazenda, quando o marqueteiro era o secretário de Comunicação. Apanhando da imprensa como cachorro magro, dia sim e no outro também, o general importou o personal marqueteiro para virar o jogo e não saiu mais da televisão, falando todos os dias para explicar o que estava fazendo no Ministério da Saúde para combater a pandemia, que segundo o presidente Bolsonaro "já estava no finalzinho". No currículo de "Markinhos Show", publicado em seu site "Venda para o Cérebro", ele se define como palestrante motivacional, master coach, analista em neuromarketing, especialista em marketing, SEO, hipnólogo, mentalista, practicioner em PNL (?), músico, empreendedor e especialista em marketing político".
Ufa! Não é pouca coisa. Foi dele a ideia de adesivar um avião para buscar vacinas na Índia com o slogan "Brasil imunizado - Uma só nação", que não saiu do Recife, e do evento marcado para o Palácio do Planalto, no dia 19, para abrir o Programa Nacional de Vacinação", que acabou cancelado. Laçado às pressas para prestigiar o evento, um anônimo motorista fantasiado de "Zé Gotinha" ficou perdido no meio de tantas autoridades civis e militares, sem conseguir enxergar aonde estava pisando.
Escoltadas por um cortejo de carros da Polícia Federal, as vacinas seguiram viagem em três caminhões frigoríficos rumo à Fiocruz, em Manguinhos, onde seriam embaladas e etiquetadas. Já era quase meia-noite. "Marquinhos Show" pensou em tudo. Vida que segue.