10/11/2020
Com ciúme do governo de SP, Bolsonaro manda suspender testes de vacina e ministro Fábio Faria diz que Coronavac pode “incluir” morte, invalidez e incapacidade
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O presidente Jair Bolsonaro vai continuar tratando o fim da pandemia do coronavírus como uma disputa política entre ele e o governador de São Paulo, João Doria, e dando pouca importância para a população do Brasil.
Foi só Doria anunciar que o primeiro lote de 120 mil imunizantes chegaria a São Paulo no próximo dia 20, para Bolsonaro determinar que a Anvisa mandasse interromper os testes da Coronavac, que está na fase três, a mais avançada nesse tipo de estudo.
A Anvisa, por determinação do presidente, atribuiu a interrupção a um “evento adverso grave em um voluntário dos estudos” ocorrido no dia 29 de outubro.
O governo Bolsonaro tenta atribuir a morte de uma pessoa que participou do teste, mas que, segundo o Instituto Butantã, o óbito não teria relação com a vacina.
Com a medida da Anvisa determinada por Bolsonaro, o produto não pode ser mais aplicado em nenhum voluntário.
O Instituto Butantã disse em nota que “foi surpreendido” com a decisão da Anvisa e “que está apurando em detalhes o que houve com o andamento dos estudos clínicos”. O Butantã informou ainda que “está à disposição da agência reguladora brasileira para prestar todos os esclarecimentos necessários referentes a qualquer evento adverso que os estudos clínicos podem ter apresentado até momento”.
Também em nota a Anvisa “reitera que, segundo regulamentos nacionais e internacionais de Boas Práticas Clínicas, os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes”.
Porém, no twitter, o ministro potiguar Fábio Faria deu o diagnóstico que ninguém tinha dado: a Coronavac, a partir do tal “evento adverso grave”, pode “incluir” morte, invalidez, incapacidade...

A Anvisa aponta 7 casos que podem ser enquadrados como "eventos adversos graves": óbito; evento adverso potencialmente fatal; incapacidade/invalidez persistente ou significativa; exigência de internação hospitalar do paciente ou prolongamento dela; anomalia congénita ou defeito de nascimento; qualquer suspeita de transmissão de agente infeccioso por meio de um dispositivo medico; e evento clinicamente signifícante.
Sem apontar o caso específico, que o Butantã já negou relação com o teste, a forma como foi publicada mostra que a vacina é mais cruel do que salvadora.