14/09/2016
Procurador da Lava Jato diz que Lula comandou esquema de corrupção e que desta vez ele não pode dizer "que não sabia de nada"
[0] Comentários | Deixe seu comentário.Na coletiva que concede neste momento em Curitiba, o procurador do Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol, disse que Lula é o "comandante máximo do esquema de corrupção investigado na Lava Jato."
O procurador diz que o núcleo político está no ápice da "pirâmide criminosa" do Petrolão, e no centro dela está o ex-presidente Lula.
Ele falou sobre o sistema de governança durante o governo Lula, e como as indicações para cargos públicos valiam dinheiro na forma de propina.
"As propinas serviam para alcançar uma governabilidade mediante corrupção, alcançar em favor do PT uma perpetuação criminosa no poder, juntando recursos para campanhas, e alcançar o enriquecimento ilícito dos envolvidos", disse o procurador.
Deltan Dallagnol disse que o esquema não estava restrito à Petrobras, mas também a Eletrobras, o Ministério do Planejamento, da Saúde, na Caixa Econômica, podendo ter alcançado outros órgãos públicos.
O procurador falou que havia a distribuição de cargos para fins de arrecadação de propina e que antes de distribuir cargos, Lula tinha a minoria no Congresso. Depois disso, ele teve a maioria de 325 deputados federais.
PP e PMDB, que eram rivais do PT nas eleições de 2002, se uniram à base aliada com a indicação de cargos e recebimento de propinas.
"Lula estava no topo da pirâmide do poder. No período em que foi estruturado o esquema criminoso do Petrolão, foi Lula que deu provimento aos altos cargos da administração pública federal", definiu Dallagnol.
Para oprocurador, Nestor Cerveró foi nomeado na Petrobras para atender os interesses arrecadatórios do PT e que "sem o poder de decisão de Lula esse esquema seria impossível".
O procurador Deltan Dallagnol lembra que o esquema era movido também por líderes do PT, e que a influência de Lula era sentido ali também.
O procurador do Ministério Público disse que o funcionamento do Mensalão e da Lava Jato dependia não só do poder de Lula como comandante, mas como líder partidário e que há provas consistentes de que líderes partidários enriqueceram ilicitamente.
O procurador falou que outros líderes partidários não tinham esse poder. "Lula era o elo comum e necessário entre o esquema partidário e o esquema de governo."
Entre essas pessoas, o procurador citou José Dirceu, João Santana, João Vaccari, Bumlai, Paulo Ferreira, André Vargas e José de Filippi Jr.
Ele cita entre os condenados no Mensalão próximos a Lula José Dirceu, Delúbio Soares, Silvio Pereira, José Genoíno, Waldemar Costa, Roberto Jefferson, João Paulo Cunha e José Borba.
O procurador do Ministério Público Deltan Dallagnol diz que depois do Mensalão Lula não pode alegar desconhecimento de um esquema do tipo. "Desta vez, Lula não pode dizer que não sabia de nada."