11/12/2014
Arcebispo Dom Jaime Vieira sobre o próximo governo: "Não podemos esperar milagres"
[0] Comentários | Deixe seu comentário.O Arcebispo Metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira da Rocha, recebeu jornalistas hoje cedo para um café da manhã.
Numa conversa com o Blog, traçou uma radiografia rápida do Estado do Rio Grande do Norte e falou de sua expectativa em relação ao momento administrativo que está por vir, com a presidente Dilma Rousseff se mantendo no governo federal e o atual vice-governador Robinson Faria assumindo a gestão estadual.
Thaisa Galvão - O que o senhor espera do novo governo?
Dom Jaime Vieira - Tanto do governo federal quanto estadual, para sermos realistas não podemos esperar milagres, né? A conjuntura é por demais desgastada, carente, precária, e é preciso que haja uma consciência cidadã de toda a sociedade, e independente de partido A ou de partido B, agora se trata de reconstruir, de consertar, de caminhar. Não que os que passaram sejam culpados, claro que é uma responsabilidade do gestor, mas também devemos ver dentro de uma conjuntura que às vezes não depende só de quem está à frente. Eu sei, por exemplo, que o Estado, o atual gestor, que está concluindo, está deixando boas perspectivas em termo de aportes do Banco Mundial, de financiamentos de recursos para determinados projetos que serão importantes.
Então, quem for receber, quem vai agora governar, vai se valer desses recursos que estão aí para serem aplicados naquilo que é mais importante.
Thaisa Galvão - O senhor daria um conselho ao novo governador?
Dom Jaime Vieira - Eu tenho dito sempre a quem me pergunta, que seremos felizes se cada gestor identificar e assumir a peito, com toda veemência, um aspecto, um serviço, uma marca que ele possa imprimir para seu governo deixar esse legado. Porque se ficarmos tentando consertar tudo, resolver todos os problemas, não será possível.
E eu vejo como prioridade mais urgente, a saúde. Não se pode continuar com o sistema de saúde pública como está, então é preciso que haja pelo menos um setor que o povo perceba que está funcionando a contento.
Thaisa Galvão – O senhor já conversou com o governador eleito Robinson Faria, tanto na campanha como depois. Fez algum pedido em nome da Igreja?
Dom Jaime Vieira - O meu pedido tem sido este, que nós estamos à disposição para colaborar com parcerias que forem necessárias, em vista do bem comum, e sobretudo apontando para esta lucidez, de escolher algo que seja a marca deste governo. Quem fala do governo Walfredo Gurgel, vai sempre se lembrar que ele legou ao Estado a ponte de Igapó, que na época já estava totalmente saturada, e o hospital público, o pronto-socorro que hoje tem o seu nome, Walfredo Gurgel.
Então, são marcas que ficam. E hoje é preciso que também se deixe uma marca, seja saúde, segurança, educação, mas que os serviços pelo menos funcionem.
Nós estamos numa precariedade, até o Itep é um problema sério, a família passa quase uma semana para receber o corpo do seu ente querido para sepultar. Isso é inadmissível e nós vamos percebendo que todos os serviços vão se deteriorando. É o Samu que é uma beleza, mas não funciona por falta de uma maca, é o Itep que não funciona porque não tem legista para fazer autópsia, e isso não pode acontecer.
Thaisa Galvão – Diante de uma dificuldade da gestão, a Igreja pode interferir, oferecer algum tipo de colaboração?
Dom Jaime Vieira – Nós tentamos colaborar, oxalá que possamos fazer isto, talvez, quem sabe, prepararmos um seminário contando com o apoio também da sociedade organizada, com técnicos, pessoas competentes em cada área, e oferecermos aquilo que nós estamos vendo como uma ação profética e co-responsável da Igreja. Um serviço, porque a Igreja, se ela não serve à causa do povo, ela não está cumprindo o seu papel para servir.
