A noite de Henrique, por Paulinho Araújo
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Nada como um repórter especial para assinar, para o Blog, os "pormenores" da badalada festa em homenagem ao deputado-presidente da Câmara, Henrique Alves.
O jornalista Paulinho Araújo, dono de um currículo variado e rico, um dia depois de autografar seu livro "Como se fossem letras", deixa a marca do seu texto precioso aqui, nesse canto, para descrever, com riqueza de detalhes, o que pouca gente viu na noite do Boulevard.
Onde a blogueira preferiu guardar o convite e registrar, de casa, em tempo real, tudo o que acontecia.
Agora, os detalhes de Paulinho Araújo, bem no seu estilo 'Joyce Pascovitch', a mesminha que já lhe convidou para ser seu repórter.
O Blog sai na frente...
Tudo ao pormenor sobre a homenagem ao deputado federal e presidente da Câmara Henrique Alves
Paulo Araújo
Especial para o Blog
Ao chegar ao Boulervard Recepções, os políticos e demais autoridades eram levados pelos membros do cerimonial para se posicionarem em frente a um banner com as logomarcas dos organizadores da homenagem. Dali, falavam com os jornalistas, que por sua vez estavam acotovelados num espaço batizado maldosamente pela maioria de "chiqueirinho". Câmeras, microfones, gravadores, fios e muitos flashes espocavam desse local sempre que um cardeal chegava.
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Regra: nenhum jornalista podia sair daquele espaço para entrevistar as autoridades que circulavam pelas mesas.
Os poucos que se atreveram a sair dali tomaram reprimendas da organização.
Quando o evento em si começou, os profissionais da imprensa foram levados para um "camarote" do Boulevard e de lá não puderam mais sair. Uma repórter de TV teve que abandonar o seu pratinho de antepastos ainda intacto para se dirigir ao local determinado pela organização.
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O salão do jantar foi dividido em três categorias: uma mesa longa, central, com cadeira diferenciadas, onde sentaram-se a governadora, os ministros, os deputados federais, os senadores, o prefeito Carlos Eduardo, e algumas esposas e acompanhantes dos mesmos, além da reitora da UFRN e do presidente do Tribunal de Justiça.
Ao redor dessa mesa grande, outras menores e redondas, de até seis lugares, marcadas e localizadas numa lógica de órbita mais ou menos próximas da mesa central de acordo com o poder dos convidados.
Por fim, da metade para o fundo do salão, mesas sem lugares marcados. Muita gente ficou em pé.
Como o vice-presidente Michel Temer não compareceu, não houve detectores de metal à porta do Boulevard.
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A cutelaria, que incluía bandejas e talheres de prata, arranjos de flores e guardanapos pretos, era finíssima.
O cardápio incluiu dois tipos de arroz, massas, camarão, filé e salada. Uma longa mesa de antepastos entretia a todos enquanto o jantar em si não começava - fato que só foi ocorrer por volta das 23h, depois dos discursos.
Tudo correu bem e o serviço foi perfeito, digno de uma reunião política realizada nos salões do hotel Waldof Astoria, em Nova York.
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Em eventos como esse, extremamente raros em nosso estado, é difícil padronizar o traje e alguns homens erraram no figurino. O homenageado optou pelo paletó completo, dispensando a gravata, o que o deixou elegante e confortável ao mesmo tempo. Mas, muitos convidados foram vestidos só com mangas compridas ou mesmo curtas, talvez receosos do calor que sempre faz quando se aglomera muita gente no mesmo local na nossa cidade.
O ar condicionado central, no entanto, esteve perfeito e foi um dos detalhe mais elogiados da festa suprapartidária. O clima geral era de confraternização em torno de Henrique e pouco - pelo menos explicitamente - falou-se de política.
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Dos seis ministros presentes à homenagem, alguns não eram reconhecidos imediatamente pelos jornalistas, e ficavam meio que como esperando para falar.
De repente, pipocou nos smartphones dos presentes a notícia de que um apagão deixava às escuras os bairros de Tirol e Petrópolis - exatamente onde moram muitos dos presentes, que telefonavam para suas casas em busca de notícias. Já sentado na mesa principal, o ministro das Minas e Energias, Edison Lobão, certamente não foi importunado com o assunto espinhoso.
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Talvez imaginando que a vice-primeira dama, Marcela Temer, estaria presente à festa, as mulheres capricharam na produção. Aqui e ali, era possível ver faíscas do que talvez fossem esmeraldas e diamantes legítimos. Vestidos de grifes internacionais e muitos penteados elegantes também compuseram o quadro. Destaques para a elegância da socialite Denise Pereira Gaspar, da deputada federal Sandra Rosado, da prefeita de Mossoró, Claudia Regina, da governadora Rosalba Ciarlini (que envergou com classe um longo colar de pérolas de cinco voltas) e da namorada do deputado Henrique Alves, a jornalista Laurita Arruda - sempre uma referência no bem vestir bem na nossa cidade.
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Os três primeiros oradores da noite cometeram uma gafe imperdoável: não lembraram de homenagear as mulheres, justamente no 8 de Março delas. Só a governadora Rosalba Ciarlini abriu sua fala com essa efeméride tão importante para o dia, fazendo reverência à Denise Alves, esposa do ministro Garibaldi Filho, em nome de quem saudou todas as mulheres presentes - e por isso foi muito aplaudida.
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O presidente Henrique Alves, por seu turno, homenageou a namorada Laurita Arruda em dois momentos do discurso. No início, lembrando como ela foi companheira e compreensiva nos dias de tormentas que viveu às vésperas da eleição em fevereiro. Ao final, para mais uma vez saudar todas as mulheres.
Henrique também ganhou uma belíssima tela, de autoria do pintor Flávio Freitas, retratando Natal, dos empresários Amaro Sales (presidente da Fiern) e Marcelo Queiroz (presidente da Fecomercio). Um gesto de elegância que o deputado prometeu retribuir afixando a obra de arte, desejada por muitos no salão, na parede do seu apartamento natalense.
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Ao longo da sua bela fala de quase quarante minutos, que comprovou mais uma vez o orador nato que é, o deputado Henrique Alves embargou a voz, chorou, soluçou, foi socorrido por uma moça do cerimonial que lhe entregou um lenço e encerrou o discurso recheado de esperança e boas notícias para o Rio Grande do Norte com uma fantástica referência e homenagem ao pai, Aluízio Alves.
Henrique lembrou que não o via sentado naquela mesa grande, mas sentia a presença dele e pedia a proteção de AA para ser um grande presidente da Câmara dos Deputados. Uma forte onda de emoção eletrizou o local. Nesse momento, era possível ouvir até uma pluma caindo no chão ou o farfalhar das árvores em volta do Boulevard, de tão suspensa que ficou a respiração dos presentes.
Ao final da fala, o salão veio abaixo num coro de palmas e batidas de pé para o homenageado por muitos minutos.
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De volta à grande mesa, Henrique Alves foi cumprimentado por mais de meia hora pelos presentes com abraços, apertos de mão e votos de boa sorte.
Só então foi servido o jantar no Boulervard Recepções, naquela que certamente entrará para a história como a homenagem mais importante que o deputado Henrique Alves já recebeu na sua vida pública - nas palavras emocionadas e no choro, ora contido, ora explícito, do próprio parlamentar.