18/01/2013
Henrique continua no foco da Folha
[0] Comentários | Deixe seu comentário.E a sexta-feira começa com mais ataques ao deputado Henrique Alves, na imprensa.
Sem novidades no caso, sem mais denúncias contra, agora a Folha de S. Paulo requenta o caso com o périplo de Henrique pelos estados em busca de apoios.
A reportagem mostra o candidato a presidente da Câmara em busca de apoios dos governadores dos partidos aliados.
Em outra reportagem de página inteira, sobrou para o bode.
O bode "Galeguinho", encontrado na empresa do ex-assessor de Henrique, Aluízio Dutra, foi fotografado do lado de fora da casa...E apontado pela reportagem como que tendo sido 'despejado' após as denúncias.
Eis as reportagens:
Sob suspeita, Henrique Alves busca apoio de governadores
DO RIO
DE BRASÍLIA
DE SÃO PAULO
Alvo de suspeitas devido à destinação que deu à sua cota de verbas federais, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) se reuniu nos últimos dois dias com os governadores dos três maiores Estados do país em busca de apoio.
Favorito para a eleição à Presidência da Câmara no próximo dia 4, o peemedebista tem feito um périplo pelo país a bordo de um jato cedido pelo hoje deputado e ex-governador de Minas Newton Cardoso (PMDB).
Em almoço ontem com os 22 deputados do Rio, mais o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito Eduardo Paes (PMDB), Henrique Alves afirmou que se considera "um pedaço da Câmara".
"Quero que vocês olhem para mim como um pedaço da Câmara. Não quer dizer que sou perfeito. Sou um cidadão comum que cometo meus erros e tenho meus defeitos", disse ele aos deputados, na churrascaria Fogo de Chão, na zona sul do Rio. Cada um dos convidados pagou cerca de R$ 150 pelo almoço.
Na fala aos deputados, ele comentou de forma resumida o caso da empresa do ex-assessor Aluizio Dutra, a Bonacci, que foi beneficiária de recursos de emendas suas.
"Ele é meu assessor há 13 anos, estava fora da empresa, realizou comigo um bom trabalho. Mas ele mesmo percebeu que estava gerando distorções políticas e saiu."
Cabral disse que "há muita motivação política" no caso.
No almoço, Henrique Alves voltou a defender o chamado orçamento impositivo, no qual gastos determinados pelo Congresso devem ser cumpridos pelo Executivo.
No final da tarde, o peemedebista voou para São Paulo para se reunir com o governador Geraldo Alckmin, no Palácio dos Bandeirantes.
A reunião contou com a presença do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). Mais cedo, Alckmin defendeu que o PMDB comande a Câmara por ser o maior partido da Casa.
Na verdade, o PT é o maior, com 87 deputados, mas fez acordo para apoiar o PMDB.
O governador tucano evitou, entretanto, defender o nome de Henrique Alves afirmando que o PMDB é quem escolhe o candidato.
No início da noite, teve início um jantar de Henrique Alves com a bancada de deputados no restaurante Figueira Rubaiyat, na zona nobre da cidade. Na entrada, o ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) minimizou as críticas ao peemedebista.
"Tem muito padre acusado de pedofilia, nem por isso eu deixo de ser católico."
Anteontem o peemedebista havia se encontrado com o governador Antonio Anastasia (PSDB-MG).
recurso público
O PMDB afirmou que vai bancar o pagamento do combustível usado pelo jatinho cedido por Newton Cardoso (PMDB-MG), além das taxas aeroportuárias, usando o fundo partidário, que é um recurso público destinado às siglas.
Segundo a assessoria de Alves, Cardoso não cobrará do peemedebista o custo com a carga horária dos pilotos durante os dez dias em que Alves percorrerá 18 cidades.
A Folha não conseguiu entrevistar Cardoso. Levantamento feito por empresa de táxi aéreo a pedido da reportagem estima um custo mínimo de R$ 189 mil para uma aeronave de porte pequeno.
A última escala da campanha de Alves está prevista para o próximo dia 21 em Natal, seu reduto eleitoral.
Também faz parte dos custos de campanha a produção de 2.000 exemplares de um livro com os discursos feitos pelo deputado nos últimos anos (R$ 25 mil, segundo a assessoria), e o envio de mensagens via celular com pedido de votos (R$ 400).
Na reta final da campanha, ainda há a possibilidade de o deputado contratar modelos para distribuir panfletos com as propostas de campanha.
E agora a reportagem sobre o bode "Galeguinho"
Bode que guardava empresa de ex-assessor de deputado vai para a rua
LEANDRO COLON
ENVIADO ESPECIAL A NATAL
Galeguinho nunca saberá, mas virou o proverbial bode expiatório. Um dia depois de a Folha revelar o cenário simplório da sede da Bonacci Engenharia, que assinou R$ 6 milhões em contratos públicos em cinco anos, sobrou para o caprino.
Desde ontem, o bode Galeguinho não desfruta da eventual sombra da varanda da sede da empresa, que ele "guardava".
A Bonacci ganhou notoriedade como destino de verbas de emendas do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), favorito à presidência da Câmara.
O bode foi despejado do terreno baldio que cerca a modesta casa onde a Bonacci é registrada, tendo como um dos sócios Aluizio Dutra, assessor do deputado PMDB até segunda, depois que a Folha revelou a relação com o dinheiro levantado pelo chefe.
A reportagem voltou ontem ao local e encontrou Galeguinho amarrado numa árvore, na mesma rua, ao lado de um chiqueirinho de galinha, a poucos metros da Bonacci.
Recebia migalhas das crianças e moradores. Entre eles, sua dona, Maria da Apresentação da Silva, 50. É mãe de cinco filhos. "Galeguinho é o sexto, o caçula." O bode foi parar na árvore porque ela diz ter recebido, anteontem, ordem para tirá-lo do terreno da Bonacci.
Não entendeu os motivos nem sabia que tinha saído algo publicado no jornal. "Pediram para tirar", resumiu.
[caption id="attachment_59340" align="aligncenter" width="300" caption="Bode 'guarda' empreiteira de fundo de quintal de ex-assessor do deputado Henrique Alves que recebeu R$ 6 milhõesBode 'guarda' empreiteira de fundo de quintal de ex-assessor do deputado Henrique Alves que recebeu R$ 6 milhões (Foto: Leandro Cólon/Folhapress)"]
[/caption]
Ela disse que trabalha como "zeladora" da casa da Bonacci nos finais de semana. Levou o bode para o local há cerca de seis meses, depois de ganhá-lo de presente do marido, preso por tráfico de drogas. "O bode veio lá da turma do presídio", explica.
Galeguinho, sem casa, agora passa o dia na árvore. À noite, disse Maria, ele seria abrigado em sua casa. "Vai dormir lá com a gente. Amanhã [hoje] vou dar um banho para ele ficar bem limpinho. Ele é um sucesso, né?", diz a dona. "Come farelo, milho, de tudo." A idade dele ninguém sabe. "Ele cresceu muito, veio bem pequeno."
Além do bode, um outro detalhe mudou na empresa: foi colocada uma espécie de adesivo branco no alto da porta da frente, com a expressão "Bonacci Engenharia". Até terça, não havia identificação. A casa é pequena, cercada pelo terreno baldio.
Os donos da Bonacci negam que seja de fachada. Afirmam que ela funciona e participa de maneira legal das licitações para as obras.
Além de emendas parlamentares, a empresa recebeu dinheiro do Departamento Nacional de Obras contra as Secas, controlado por Alves. Auditoria da Controladoria-Geral da União aponta desvios nos contratos, o que todos negam.